segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O olhar do Cordeiro


 Gosto da passagem bíblica e da ênfase no detalhe que João dá no evangelho quando Jesus é levado até Simão/Pedro, João não diz logo aquilo que Jesus falou ao aproximar-se de Simão, mas enfatiza: "Olhando Jesus para ele... (Jo 1: 42). Teria o olhar de Jesus apenas uma reação óbvia? Tenho certeza que não.
 Uma outra porção das Escrituras relata Jesus fixando novamente os olhos em Pedro, dessa vez não foi em um clima de recepção. O apóstolo havia acabado de negar a Jesus (Lucas 22: 61, 62). Vamos ver o detalhe por meio do relado de Lucas, sentindo a ênfase da passagem: "Fixou os olhos em Pedro". Mais uma vez, seria uma simples reação? Não.

 O olhar de Jesus penetra o interior de Pedro, mexendo com todo o seu ser. O que deve ter passado na mente de Pedro quando Cristo fixou os olhos nele e seguiu o seu caminho para o interrogatório, indo posteriormente até a cruz? Pedro era o homem que antecipava-se em fazer perguntas ou responder as inquirições feitas por Jesus. Pedro é aquele servo que conhecia o olhar de seu Senhor. Pedro chora amargamente. Talvez muitas lembranças vieram na mente do discípulo e ele sabia que Jesus não sairia ileso das mãos daqueles homens. Ele reconheceu que havia falhado.

  Aquele olhar de Jesus não o condenou, certamente que não. Aqueles olhos fixos em Pedro eram o olhar do cordeiro indo para o matadouro no lugar daqueles por quem o seu santo sangue iria salvar da ira do Pai. Era um olhar de compaixão, algo que trascende a minha capacidade ilustrativa. Era a maravilhosa graça constrangendo um pobre pecador.

 O Senhor Jesus não só esteve em carne entre nós, mas olhou fixamente nos olhos dos homens. Cristo não veio apenas derramar o seu sangue na cruz, a obra desse santo e precioso ato veio salvar pecadores arrependidos. Olhe para Jesus.


 


domingo, 3 de setembro de 2017

Ser Pastor

Ser Pastor
 Consegue apreciar os campos verdes e o riacho que corre emitindo uma suave melodia? Sente-se seguro ao ver todas as suas ovelhas diante dos seus olhos? Será um belíssimo dia de trabalho. Aparentemente, tudo está estável aos olhos do pequeno pastor: pasto, água e sombra. No entanto, cada ovelha tem a sua peculiaridade; o clima nem sempre irá permanecer estável; aproveitadores rondarão o seu rebanho tentando fisgar alguma ovelha.
 O trabalho do pastor inicia-se bem antes do seu encontro com o rebanho. Ele deve cuidar de sua família provendo o necessário para que a mesma permaneça segura e saudável. Feito isso, a sua saúde deve estar em dia para que o trabalho seja executado com os devidos cuidados.
 Quem apenas observa o pastor com as ovelhas sem aproximar-se da realidade do pastoreio, jamais enxerga as marcas de sua árdua caminhada, não ouve as preces para que nenhuma ovelha adoeça, não tem conhecimento do clamor nos dias difíceis, não sabe que correrão lágrimas até que tudo siga o seu devido rumo.
 De conformidade com a metáfora a cima, conclui-se o mesmo do ministério pastoral, pois a tarefa de fazer discípulos é um laborioso serviço, basta olhar para Jesus. Quem serviu melhor do que o Bom Pastor? Aliás, foi Ele mesmo quem disse: “Eu sou o Bom Pastor; o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10: 11).
 Ser pastor é doar-se em uma trabalhosa jornada, indo junto com o rebanho para a mesma direção, superando obstáculos e anunciando que o Caminho é seguro e nele há Vida. Ser pastor é apontar para o Bom Pastor, Jesus Cristo.


- Alex Barbosa

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Ó Beleza

Ó Beleza que está sobre mim
Verdade que me cerca
Singularidade na Diversidade
Despreza a superficialidade
És todo verdade
Em minha ignorância
Sua face foi rejeitada
Sua voz calada
Presença ignorada
Desejei e desejei tudo
Corri, milhas caminhei
Que tesouro encontrei?
Ó Beleza, aqui estou
Onde está a brisa?
Fale com suave melodia
Aquiete a alma cansada
Os olhos perambulates
Leve e lave a dor
Pois, assim que ela voltar
Será uma doce melodia
Dor que vira harmonia
Ó Beleza, mistério e revelação
Aqui estou
Pequenino, frágil
Fé e coração


- Alex Barbosa

segunda-feira, 5 de junho de 2017

O Cânon Bíblico



É senso comum que o livro sagrado dos Cristãos é a Bíblia, também conhecido como Palavra de Deus, Lei do Senhor, Mandamentos, Sagradas Escrituras etc. A Bíblia é um conjunto de livros que foram escritos por homens inspirados por Deus. Esse manual de fé e prática possui 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento, totalizando 66 livros.¹ É importante frisar que na Bíblia há gêneros literários, logo, devemos ter alguns cuidados ao ler as Escrituras, a fim de, não adulterar o contexto original da passagem.

 Muitos terão dúvidas a respeito da diferença da “Bíblia Protestante” para a Bíblia da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR), que incluem mais sete livros, totalizando 73 livros. A ICAR acrescentou-os ao cânon a partir da Reforma Protestante, no Concílio de Trento em 1546. Mas o que vem a ser esse tal de “Cânon” e qual é a sua importância para a igreja? Segundo Alister McGrath,

 Cânon significa “uma regra ou um ponto fixo de referência”.² Isso significa que a igreja cristã deve ser orientada doutrinariamente a partir dos livros contidos nesse Cânon de 66 livros. Aceitar, por exemplo, os sete livros apócrifos (Duvidoso, não inspirado por Deus) da ICAR, é admitir muitos ensinos que contrariam os profetas e os apóstolos, homens que falaram inspirados por Deus. Mesmo que tais livros possam ser lidos como fontes históricas, eles não poderão ser aceitos como canônicos.
Estudiosos da ICAR costumam afirmar que o concílio de Roma (392) aceitou os livros apócrifos como canônicos, mas, esse argumento é fraco, pois o concílio foi local, e para ele ser aceito pela Igreja, o mesmo deveria ser ecumênico, ou seja, mais abrangente. Além disso, muitos teólogos da ICAR rejeitaram esse novo Cânon.³

 A história da igreja vai apontar homens de Deus que batalharam pela sã doutrina e rejeitavam ensinamentos que distorciam a verdade. Ensinos perniciosos começaram aparecer bem cedo e traziam doutrinas que contrariavam o Antigo e o Novo Testamento. Então, segue alguns desses homens que preservavam o bom ensino a partir da ideia de confiar no Cânon como temos hoje: Justino, Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Atanásio etc.

 Tendo dito isso, a Tradição Reformada entende que todos os sessenta e seis livros que fazem parte da Bíblia são os únicos livros de inspiração divina, isso torna as Escritura Sagradas sem erros e infalíveis, estando acima de qualquer concílio e liderança. Todos devemos nos submeter a Deus, obedecendo os seus mandamentos.

Sola Scriptura = Somente as Escrituras



1 - Confissão de Fé de Westminster, 1:2

2 – McGrath, Alister; Teologia Sistemática, histórica e Filosófica; uma introdução à teologia cristã. São Paulo, Shed Publicações, 2016, p 47.

3 - http://www.monergismo.com/textos/bibliologia/apocrifos_analisando_geisler.htm