quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Falar sobre Deus é "fácil".



 Ninguém melhor do que o próprio indivíduo para desnudar o seu interior e descrever as digitais de sua alma. Somente nós, de forma segura, podemos fornecer partículas importantes que carregam a essência de quem somos. O ser humano é muito complexo para ser facilmente mapeado. Partindo desse princípio, elevo a reflexão ao ser de Deus. Quem é Deus? Ao fazer essa pergunta para diversas pessoas, teremos muitas conclusões. É possível que a maioria das definições sobre a pessoa de Deus sejam conclusões auto concebidas, “encaixando Deus” em compartimentos centrados no homem. Há alguém melhor do que o próprio Deus para revelar essa identidade?

 Deus se aproxima do homem, obra de sua criação, e a fé recebida é o meio pelo qual entendemos quem Ele é, não por mero assentimento, antes, nosso interior é conectado com a revelação da pessoa e obra de Deus. Pessoa: Entendemos seu Senhorio, amor, santidade, soberania, fidelidade etc; Obra: Somos devedores, estamos em dívida com Ele e a razão de Jesus Cristo encarnar, cumprir a lei, morrer e ressuscitar é para que o homem, arrependido, pudesse ter paz com Deus e ser uma nova pessoa, ou seja, apenas a obra de Cristo salva o homem.

 Eu sei quem eu sou: um pecador arrependido, nova criatura e estando em paz com Deus. Eu sei quem Deus é: Pai, Filho e Espírito Santo. Reinando de eternidade a eternidade.

Referências Bíblicas
Romanos 3: 23, 24

Jeremias 10: 10

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A interpretação Bíblica e a Escola Antioquiana

A interpretação Bíblica e a Escola Antioquiana


 A interpretação bíblica é um método de olhar para as Escrituras e buscar o sentido original do texto, sendo assim, algumas escolas de Tradição Cristã fornecerão a sua versão interpretativa dos acontecimentos bíblicos. Segundo Walter Kaiser, a Hermenêutica (interpretação bíblica) deve estar atenta tanto para a Exegese quanto para a Teologia, de forma a tornar-se mais completa na investigação interpretativa[1].  
 Ao investigar as Sagradas Escrituras estaremos diante de um texto inspirado por Deus, sendo assim, é necessário empenho ao buscar a essência, ou seja, qual é a intenção do autor ao escrever determinado assunto. Apesar da mensagem central das Escrituras serem de fácil entendimento, existem outras partes que são obscuras. Ao dizer isso, vale ressaltar que em toda a história da igreja foi surgindo intérpretes que distorceram completamente o significado original do texto sagrado. Temos o exemplo de Marcião, Montano, os Gnósticos, e até mesmo cristãos da escola de Alexandria, fazendo uso do método Alegórico, com isso, dando novo significado às passagens bíblicas.
 O presente artigo apresentará a Escola de Antioquia, localizada na atual Turquia, e reunirá algumas características de sua Tradição, ou seja, o método interpretativo, sua Teologia e representantes.

O MÉTODO INTERPRETATIVO DA ESCOLA DE ANTIOQUIA
 A Escola Antioquiana ficou conhecida por sua interpretação literal das Escrituras, conhecimento das línguas originais e o caráter histórico do texto Sagrado, se assemelhando ao que no futuro passou a ser chamado de Método Histórico Gramatical. Eles tinham por objetivo investigar a fundo as palavras, a fim de alcançar a intenção autoral, ou seja, evitando ao máximo impor ao texto um significado equivocado[2].
 Esse método não era pioneiro, pois, antes mesmo de Luciano (240- 312 A.D - fundador da Escola Antioquiana[3] surgir com esse método de estudo, no segundo século, Teófilo mantinha o uso literal de interpretação bíblica:

“Eu leio as sagradas Escrituras dos santos profetas, os quais pelo Espírito de Deus predisseram as coisas realmente tem acontecido, exatamente como vieram a ocorrer, e as coisas que agora estão ocorrendo no presente, e as coisas futuras na ordem em que ocorrerão. Aceitando, portanto, prova evidente coma ocorrência de coisas preditas interiormente, eu não descreio. Ao contrário, creio, obediente a Deus, a quem você também deveria se sujeitar, crendo nele, para que não seja condenado depois e atormentado com a punição eterna[4].”

Antioquia e seu desafio Teológico
 Antioquia era menos romanizada do que Cartago, apesar disso, era uma cidade onde diversas tradições religiosas se encontravam, mesmo assim, não encontraremos o sincretismo religioso encontrado na Escola de Alexandria[5].
 Segundo McGrath os escritores dessa conhecida escola eram bastante motivados por considerações de ordem soteriológica. Por exemplo, as duas naturezas de Cristo são defendidas com veemência, ou seja, que Cristo é em um só tempo Deus e homem[6]. Ao fazer isso, eles estavam divergindo da Escola de Alexandria, uma vez que os mesmos entendiam o posicionamento Antioquiano como quem se posiciona negando a unidade de Cristo e, diziam que tal posição era o mesmo que dizer que Deus tinha dois filhos. A posição da Igreja de Antioquia está bem mais próxima daquela defendida pelos outros pais da igreja, bem como os Reformadores.

Antioquia e a Igreja Hoje
 Muitas igrejas hoje adotam o método alegórico para tentar expor o texto, no entanto, esses pregadores estão se afastando do sentido original da passagem, da intensão autoral. Exemplos dessas igrejas são as Neopentecostais, se aproximando bastante da escola de Alexandria. Por outro lado, muitas igrejas buscam o método Histórico Gramatical para interpretar a Bíblia, essa ferramenta se assemelha muito o da igreja de Antioquia, umas vez que os proponentes buscam o real contexto do texto sagrado.
 
Conclusão
 É extremamente pertinente nós lermos os autores antigos a fim de buscarmos proximidade na forma de interpretarmos as Sagradas Escrituras. Olhar como os nossos pais enxergavam algum texto por eles se encontrarem bem mais próximos do que nós mesmos, mais de 20 séculos de distância. Mesmo assim, é possível termos acesso a fragmentos, ou até mesmo livros de alguns homens que influenciaram o pensamento de outros homens de Deus.
  
- Alex Barbosa








[1] Walter G. Kaiser, o Uso Teológico da Bíblia, p 187
[2] Alister McGrath, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, p 418
[3] Augustus Nicodemus Lopes, A Bíblia e seus intérpretes, p 134
[4] Augustus Nicodemus Lopes, A Bíblia e seus intérpretes, p 135
[5] Justo L. Gonzalez, Retorno à história do pensamento Cristão, p 33
[6] Alister McGrath, Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica, p 419

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O olhar do Cordeiro


 Gosto da passagem bíblica e da ênfase no detalhe que João dá no evangelho quando Jesus é levado até Simão/Pedro, João não diz logo aquilo que Jesus falou ao aproximar-se de Simão, mas enfatiza: "Olhando Jesus para ele... (Jo 1: 42). Teria o olhar de Jesus apenas uma reação óbvia? Tenho certeza que não.
 Uma outra porção das Escrituras relata Jesus fixando novamente os olhos em Pedro, dessa vez não foi em um clima de recepção. O apóstolo havia acabado de negar a Jesus (Lucas 22: 61, 62). Vamos ver o detalhe por meio do relado de Lucas, sentindo a ênfase da passagem: "Fixou os olhos em Pedro". Mais uma vez, seria uma simples reação? Não.

 O olhar de Jesus penetra o interior de Pedro, mexendo com todo o seu ser. O que deve ter passado na mente de Pedro quando Cristo fixou os olhos nele e seguiu o seu caminho para o interrogatório, indo posteriormente até a cruz? Pedro era o homem que antecipava-se em fazer perguntas ou responder as inquirições feitas por Jesus. Pedro é aquele servo que conhecia o olhar de seu Senhor. Pedro chora amargamente. Talvez muitas lembranças vieram na mente do discípulo e ele sabia que Jesus não sairia ileso das mãos daqueles homens. Ele reconheceu que havia falhado.

  Aquele olhar de Jesus não o condenou, certamente que não. Aqueles olhos fixos em Pedro eram o olhar do cordeiro indo para o matadouro no lugar daqueles por quem o seu santo sangue iria salvar da ira do Pai. Era um olhar de compaixão, algo que trascende a minha capacidade ilustrativa. Era a maravilhosa graça constrangendo um pobre pecador.

 O Senhor Jesus não só esteve em carne entre nós, mas olhou fixamente nos olhos dos homens. Cristo não veio apenas derramar o seu sangue na cruz, a obra desse santo e precioso ato veio salvar pecadores arrependidos. Olhe para Jesus.




domingo, 3 de setembro de 2017

Ser Pastor

Ser Pastor
 Consegue apreciar os campos verdes e o riacho que corre emitindo uma suave melodia? Sente-se seguro ao ver todas as suas ovelhas diante dos seus olhos? Será um belíssimo dia de trabalho. Aparentemente, tudo está estável aos olhos do pequeno pastor: pasto, água e sombra. No entanto, cada ovelha tem a sua peculiaridade; o clima nem sempre irá permanecer estável; aproveitadores rondarão o seu rebanho tentando fisgar alguma ovelha.
 O trabalho do pastor inicia-se bem antes do seu encontro com o rebanho. Ele deve cuidar de sua família provendo o necessário para que a mesma permaneça segura e saudável. Feito isso, a sua saúde deve estar em dia para que o trabalho seja executado com os devidos cuidados.
 Quem apenas observa o pastor com as ovelhas sem aproximar-se da realidade do pastoreio, jamais enxerga as marcas de sua árdua caminhada, não ouve as preces para que nenhuma ovelha adoeça, não tem conhecimento do clamor nos dias difíceis, não sabe que correrão lágrimas até que tudo siga o seu devido rumo.
 De conformidade com a metáfora a cima, conclui-se o mesmo do ministério pastoral, pois a tarefa de fazer discípulos é um laborioso serviço, basta olhar para Jesus. Quem serviu melhor do que o Bom Pastor? Aliás, foi Ele mesmo quem disse: “Eu sou o Bom Pastor; o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10: 11).
 Ser pastor é doar-se em uma trabalhosa jornada, indo junto com o rebanho para a mesma direção, superando obstáculos e anunciando que o Caminho é seguro e nele há Vida. Ser pastor é apontar para o Bom Pastor, Jesus Cristo.


- Alex Barbosa